sexta-feira, 21 de setembro de 2012

13 dúvidas sobre vacinas infantis

13 dúvidas sobre vacinas infantis
Toda vacina é 100% eficaz. Reações indicam que ela pegou pra valer. Ideias assim povoam a cabeça dos pais. Será que elas têm fundamento? Nós tiramos a limpo.
 
1. Existem vacinas que são 100% eficazes?
Não, não existem. Isso porque nenhum imunizante se comporta como uma infecção natural, causada por um micróbio propriamente dito. Considere que, mesmo que haja componentes vivos na fórmula, eles se encontram atenuados, isto é, enfraquecidos, e isso compromete parte da eficácia de ensinar o sistema imune a se defender de uma infecção de verdade.
 
Além disso, as chamadas falhas vacinais às vezes põem tudo a perder. Elas ocorrem, por exemplo, quando o imunizante não é bem conservado. Mesmo aplicado do jeito adequado, às vezes, com o passar do tempo, a quantidade de anticorpos induzidos pela vacina declina e a criança volta a ser suscetível à doença. Também pode ser que o organismo não responda de forma adequada à substância que foi inoculada — e isso varia de pessoa para pessoa. No entanto, como para toda regra há exceção, estudos demonstram que uma única vacina, aquela contra a hepatite A, oferece proteção total. Mas atenção: só após a segunda dose.
 
2. As vacinas contra catapora e tuberculose só protegem das formas graves dessas doenças?
É verdade. No caso da catapora, a proteção é de 95% a 98% contra as manifestações mais graves e de 70% a 90% contra as leves. E a BCG previne contra a neurotuberculose, que afeta o sistema nervoso central e pode matar, mas não contra o tipo pulmonar, felizmente bem menos letal hoje em dia. “O organismo dá conta de combater o bacilo na grande maioria dos casos”, tranqüiliza o infectologista Djalma Rodrigues Pinto Neto, membro da Sociedade Brasileira de Imunizações.
 
Essas vacinas não têm a capacidade de desenvolver uma memória imunológica persistente. Com o passar do tempo ela se perde. E aí são necessárias novas doses a cada dez anos. Mesmo assim, é imprescindível que os pequenos sejam vacinados. Embora estejam mais sujeitos às formas leves dessas doenças, podem transmitir as mais graves para outras crianças.
 
3. Contra a pólio a Sabin é mais eficaz do que a Salk?
Do ponto de vista coletivo, as gotinhas da Sabin representam a melhor opção por uma simples questão de saneamento básico. É que a criança vacinada elimina os vírus vacinais pelas fezes, ajudando assim a imunizar a população carente que vive no entorno e que não foi imunizada. Quanto à segurança individual, a injetável Salk leva uma ligeira vantagem: diminui ainda mais o risco da poliomielite vacinal, ou seja, a doença causada pelos componentes da própria vacina. Calma. A ocorrência é bastante rara também com as gotinhas. Então, nem pense em deixar de vacinar seu filho por causa de um risco remotíssimo.
 
4. A criança que vomitar no dia que receber a Sabin vai ter que ser vacinada de novo?
Isso só será necessário se houver regurgitação logo em seguida ou em menos de duas horas da ingestão das gotinhas. Esse é o tempo que os vírus vivos enfraquecidos do imunizante levam para viajar até o intestino, onde formarão colônias e provocarão a reação imune do organismo. “O vômito, mesmo não sendo um impedimento para a vacinação, pode sinalizar alguma doença e o pediatra deverá ser consultado”, recomenda o infectologista Djalma Rodrigues Pinto Neto.
 
5. A hexavalente, que imuniza também contra a pólio, não dispensa a Sabin?
Verdade. As gotinhas nunca são demais e funcionam como um reforço. Então, não deixe de atender ao chamado das campanhas antipólio realizadas pelo Ministério da Saúde. “Há cidades em que apenas 60% das crianças são levadas aos postos e a doença ainda não foi erradicada em muitos países”, alerta a pediatra Isabella Ballalai, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações.
 
6. Todas as vacinas contra meningite são importantes?
Sim — e como! Existem várias vacinas porque há vários tipos da doença. A BCG previne também a meningite tuberculosa. A tetravalente protege contra a meningite pneumocócica, causada pelo Haemophilus influenzae tipo b. E há ainda aquelas que barram a meningite meningocócica.
 
7. A vacina contra rubéola nem sempre funciona?
Não é bem assim. Quando a criança adquire a doença apesar de vacinada, pode ter havido a chamada falha vacinal (veja a questão número 1). Mas, diga-se, isso é muito raro. Também não descarte um diagnóstico errado. O médico pediu o teste de sorologia para tirar a prova dos nove? Se a resposta for negativa, já sabe: é para vacinar de novo.
 
8. Não é necessário antecipar a vacinação só por causa do surto de alguma doença?
Dependendo da doença, é melhor, sim, antecipar. É o caso da catapora, mais comum na primavera. Supondo que seu filho tenha sido vacinado há dois anos e ainda faltem 12 meses para o reforço, procure uma clínica. Antes, porém, consulte o pediatra.
 
9. Se a caderneta de vacinação sumiu, a criança vai ter que repetir as vacinas?
Antes de qualquer atitude, o infectologista Djalma Rodrigues Pinto Neto recomenda que os pais procurem o posto ou a clínica onde a criança foi vacinada e peçam uma segunda via da caderneta. Uma portaria do Ministério da Saúde obriga esses estabelecimentos a manter registros de todas as aplicações e fornecer o documento.
Caso haja dúvidas quanto às que foram tomadas — porque a criança mudou de cidade, por exemplo —, ela terá de ser imunizada novamente, sim. Mas sossegue, porque isso não fará nenhum mal a ela.
 
10. Reações ao imunizante são facilmente confundidas com sintomas de outras doenças?
De jeito nenhum. As reações normalmente ocorrem no local da aplicação, o que é muito fácil perceber. E a febre, quando aparece, é baixa e dura menos de 48 horas. Se ela chegar a mais de 39° C e se prolongar além de dois dias após a vacinação, aí, sim, é muito provável que o corpo esteja sinalizando um outro problema. Você já sabe o conselho de cor: procure o pediatra.
 
11. Quanto mais fortes as reações, mais protegida a criança está?
A eficácia não está relacionada à intensidade de sinais como febre, inchaço e dor no local da aplicação. Uma das características das vacinas mais modernas, aliás, é justamente oferecer maior proteção com o mínimo de efeitos colaterais.
 
12. Vacinas combinadas tornam mais intensos os efeitos colaterais?
Nada a ver. Ao contrário: mais modernos, esses imunizantes provocam menos reações do que os aplicados isoladamente. Os especialistas acham que são vantajosos. Afinal, uma única picada que protege contra quatro, cinco, seis doenças dispara as mesmas respostas positivas de uma vacina simples.
 
13. A primeira dose é sempre a mais importante. O reforço é apenas uma segurança a mais?
Mentira. Quando se pede o reforço é porque, no intervalo entre uma aplicalção e outra, o número de anticorpos tende a despencar. A cada dose o contato com o vírus ou com a bactéria da vacina aumenta as defesas do organismo até elas chegarem ao ponto ideal. Atrasar ou não cumprir o calendário pode comprometer todo o processo. Por outro lado, antecipar o reforço também não é recomendável. Segundo Isabela Ballalai, isso agride o sistema imunológico. Então, vacine seu filho sempre no tempo certo.

Fonte: bebe.com

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